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Sala de aula invertida para uma aprendizagem invertida

Ilustração produzida a partir de elementos do Freepik.com
Ilustração produzida com elementos do Freepik.com
 

Por ROBERTO FLORES LACORTE, TOLUCA MÉXICO.

 
As práticas de sala de aula invertida consistem em oferecer aos alunos textos, vídeos ou conteúdo adicional para estudo fora da sala de aula. Neste caso o tempo em classe não implica necessariamente uma mudança na dinâmica da aula, portanto, pode ou não efetivar a aprendizagem invertida.

Esta proposta pode ser aplicada em diferentes contextos. Mesmo nos países onde a desigualdade é evidente e a sociedade é carente de recursos básicos, o professor criativo pode muito bem superar esses impedimentos com a prática da sala de aula invertida.

O método não é um antídoto ou panaceia. Como em qualquer modelo ou método de ensino, a sala de aula invertida pode ser adotada de forma errada. Logo, é importante notar que a iniciativa pode não funcionar para todos os professores e alunos, assim como para diferentes níveis e disciplinas. Nem todos os educadores terão sucesso e alguns alunos podem preferir as abordagens tradicionais, mas é uma boa alternativa para um mundo globalizado em que o uso da tecnologia e da comunicação aplicados à educação é cada vez maior.

Até bem pouco tempo atrás, quem poderia imaginar que até mesmo as pessoas com menos recursos financeiros poderiam ter acesso fácil a um telefone celular com diversos aplicativos, alguns deles importantes recursos pedagógicos que podem ser utilizados de forma proveitosa pelos professores?

A sala de aula invertida está sendo vivenciada por diversas instituições em turmas que vão do jardim da infância até a universidade. No caso das escolas públicas, mais carentes de recursos, o que entra em cena é a iniciativa do professor, assim como sua formação continuada que o ajuda a ser mais conectado com essa prática pedagógica. Espera-se que, conforme as tecnologias e o acesso à internet de banda larga se tornem mais acessíveis, ocorra um aumento da integração de tecnologias com os processos de aprendizagem e, consequentemente, cresça o interesse no desenvolvimento desse modelo específico de aprendizagem.

Não existe um roteiro de implantação da sala de aula invertida. Isso acontece porque as práticas estão inseridas em diferentes contextos sociais, lançando mão de diferentes recursos em diferentes níveis de aprendizagem. É necessário que pesquisas qualitativas e quantitativas rigorosas continuem sendo feitas sobre esse método de ensino. Considerando o cenário, essa é a oportunidade que o docente tem de criar propostas e desenvolver projetos mais próximos de sua realidade e da realidade dos seus alunos, a fim de propor mudanças significativas nas suas próprias práticas de ensino.

Por que usar o modelo de Sala de Aula Invertida?

Em cenários mais flexíveis, a exemplo da Sala de Aula Invertida, os alunos podem escolher quando e onde aprender. Isso também torna mais flexíveis as suas expectativas sobre o ritmo da aprendizagem. Já para os professores essa flexibilidade permite que o caos em sala de aula possa ser visto como um cenário de estímulo à produção de ideias. Estabelecem-se avaliações mais pertinentes que medem a compreensão do conteúdo de uma forma mais significativa tanto para professores como para os alunos.

Cultura de aprendizagem

Percebe-se uma mudança na aprendizagem quando se compara uma aula centrada na figura do professor com outra aula centrada no estudante. Na sala de aula invertida o tempo em classe é utilizado para aprofundar temas, criar oportunidades de aprendizagem mais enriquecedoras e maximizar as interações face a face. Tudo com o objetivo de garantir a compreensão e a síntese do conteúdo trabalhado.

Conteúdo intencional

Para um design instrucional eficiente é necessário que o professor se faça a seguinte pergunta: que tipo de conteúdo pode ser ensinado em sala de aula e que materiais podem ser disponibilizados para que os alunos possam iniciar eles próprios a investigação? Responder a essa questão é importante para desenvolver estratégias ou métodos de aprendizagem de acordo com o nível escolar e a disciplina, como aprendizagem baseada em problemas, mastery learning ou o método socrático, por exemplo.

Professor qualificado

Na sala de aula invertida professores qualificados são mais importantes do que nunca. São eles que devem definir o conteúdo, as instruções e traçar as estratégias de interação face a face. Durante a aula, devem observar e dar feedback, além de avaliar continuamente o trabalho do aluno.

As tecnologias de hoje estão redefinindo as aulas de amanhã. A educação online está ajudando nessa transformação já que países e organizações estão cada vez mais se aproximando desse modelo de ensino. Na medida em que mais estudantes têm acesso a computadores e dispositivos móveis conectados à internet, mais oportunidades educativas e interativas se abrem para professores e alunos. Como, por exemplo, fóruns, chats, museus e laboratórios virtuais que favorecem as práticas de sala de aula invertida; estes últimos ampliando o acesso à educação superior de qualidade por um custo muito baixo ou mesmo nulo. Também na educação superior o modelo de sala de aula invertida começa a ser muito popular devido à forma como propõe uma reorganização da instrução aluno a aluno, bem como gerencia de forma mais eficiente o tempo em sala de aula.
 

Texto de Roberto Flores Lacorte, Toluca México. IBERCIENCIA. Comunidad de Educadores para la Cultura Científica.
Tradução Livre da sala de notícias do Simpósio Hipertexto: Karla Vidal e Augusto Noronha
Fonte: http://www.oei.es/divulgacioncientifica/?Aula-invertida-para-un-aprendizaje

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